Balanço

Petrobras supera estimativas no 1T26 com EBITDA de R$ 52 bi

Gráfico de resultados Petrobras PETR4

A Petrobras divulgou nesta quinta-feira (12/06) seus resultados do primeiro trimestre de 2026, reportando lucro líquido de R$ 28,4 bilhões — valor 12% acima do consenso de mercado. O EBITDA ajustado atingiu R$ 52,1 bilhões, com margem de 48%, reflexo da combinação entre produção estável no pré-sal e disciplina nos custos operacionais.

As ações PETR4 reagiram positivamente na sessão, subindo 3,2% no fechamento da B3. Analistas do setor de petróleo e gás destacaram a resiliência da estatal diante da volatilidade nos preços do barril de Brent, que oscilou entre US$ 72 e US$ 78 durante o período.

Produção e reservas

A produção média de óleo e gás natural no Brasil ficou em 2,78 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), praticamente estável em relação ao quarto trimestre de 2025. O pré-sal continuou como principal motor, respondendo por 76% do volume total. Os campos de Búzios e Mero registraram recordes individuais de produção, compensando a declinação natural em áreas maduras do pós-sal.

A empresa manteve o guidance de produção para 2026 entre 2,7 e 2,9 milhões de boed, sem revisões neste balanço. Executivos sinalizaram, porém, que novos poços em Tupi e Atapu devem entrar em operação no segundo semestre, o que pode impulsionar o volume no 2T26.

Indicadores financeiros

A receita líquida consolidada somou R$ 108,6 bilhões, queda de 4% em relação ao mesmo trimestre de 2025, explicada principalmente pela menor cotação média do petróleo. Apesar disso, a Petrobras conseguiu expandir margens graças à redução de 8% nos custos de extração (lifting cost), que fecharam em US$ 6,20 por barril.

O CEO interino ressaltou na teleconferência que a empresa segue priorizando a geração de caixa livre e a distribuição de dividendos, sem comprometer investimentos em projetos de alta rentabilidade.

O fluxo de caixa livre atingiu R$ 34,7 bilhões no trimestre, permitindo o pagamento de R$ 18,2 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio. O endividamento líquido encerrou o período em US$ 58 bilhões, dentro da meta de US$ 55 a US$ 65 bilhões estabelecida no plano estratégico.

Guidance e perspectivas

A diretoria reafirmou o guidance de CAPEX para 2026 em R$ 102 bilhões, com foco em projetos de exploração e produção no pré-sal e em renováveis offshore. Não houve revisão das projeções de preço do petróleo utilizadas no planejamento, mantidas em US$ 75 o barril para o ano.

Analistas do BTG Pactual elevaram o preço-alvo das ações de R$ 42 para R$ 46 após o balanço, citando a melhora na eficiência operacional. O Itaú BBA manteve recomendação de compra, com destaque para o programa de desinvestimentos que deve liberar R$ 15 bilhões em recursos até o final de 2027.

Teleconferência com investidores

Na earnings call realizada às 11h (horário de Brasília), a diretoria respondeu questionamentos sobre a política de preços de combustíveis e o impacto da transição energética. Executivos confirmaram que não há planos de alterar a paridade internacional no curto prazo, mas admitiram monitoramento contínuo das margens de refino.

Sobre ESG, a Petrobras anunciou meta revisada de redução de emissões de escopo 1 e 2 em 30% até 2030, ante a meta anterior de 25%. Investimentos em captura de carbono e energia eólica offshore foram citados como prioridades no portfólio de transição.

Análise Trimestral

O 1T26 consolida a Petrobras como referência de eficiência entre as petroleiras estatais emergentes. A combinação de produção estável, custos controlados e política generosa de dividendos continua atraindo investidores estrangeiros, que representaram 62% do free float no último relatório da B3. Para o investidor pessoa física, o principal ponto de atenção permanece a volatilidade do preço do petróleo e eventuais interferências políticas na política de preços — riscos que a diretoria minimizou na teleconferência, mas que o mercado continua precificando com cautela.