O Itaú Unibanco realizou neste domingo (08/06) sua tradicional teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026. O CEO Milton Maluhy dedicou boa parte da apresentação à estratégia de crédito, reforçando a disciplina na concessão para pessoa jurídica e projetando crescimento da carteira total entre 8% e 10% para o ano.
O banco reportou lucro líquido recorrente de R$ 10,8 bilhões no 1T26, alta de 7% em relação ao mesmo período de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) atingiu 21,3%, mantendo o Itaú na liderança de rentabilidade entre os grandes bancos brasileiros. As ações ITUB4 fecharam em alta de 1,5%.
Margens e funding
A margem financeira bruta ficou em 5,9%, estável em relação ao quarto trimestre de 2025. O spread entre taxas de empréstimo e captação se manteve resiliente, apesar da competição acirrada por depósitos à vista no sistema financeiro nacional.
O diretor financeiro informou que o custo de funding subiu 0,3 ponto percentual no trimestre, reflexo do ciclo de aperto monetário iniciado pelo Banco Central em 2025. Para compensar, o banco tem priorizado produtos de maior margem, como crédito consignado privado e financiamento de veículos.
Crédito pessoa jurídica
Maluhy enfatizou que o crescimento de 11% na carteira de PJ no trimestre não significa relaxamento nos critérios de concessão. Segundo o executivo, o banco tem sido seletivo em setores como construção civil e varejo, concentrando esforços em empresas de médio porte com fluxo de caixa comprovado.
Estamos crescendo com qualidade. Preferimos perder market share a comprometer a qualidade da carteira — afirmou Maluhy durante a sessão de perguntas e respostas.
A inadimplência acima de 90 dias na carteira de PJ ficou em 2,4%, levemente acima dos 2,2% do 4T25, mas dentro do patamar considerado saudável pelos analistas de crédito.
Digital e eficiência
O Itaú reportou que 72% das transações do trimestre foram realizadas por canais digitais, ante 68% no 1T25. O aplicativo atingiu 38 milhões de usuários ativos mensais, consolidando a liderança em bancarização digital no país.
O índice de eficiência operacional fechou em 38,2%, melhora de 0,8 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. A diretoria reafirmou a meta de alcançar eficiência abaixo de 37% até o final de 2027, com ganhos provenientes de automação de back-office e fechamento de agências físicas de baixo movimento.
Guidance para 2026
Na teleconferência, o Itaú manteve o guidance de crescimento de receita entre 6% e 9% para 2026. A projeção de ROE foi reafirmada na faixa de 20% a 22%. Não houve revisão do guidance de despesas administrativas, mantido com crescimento máximo de 5% em termos reais.
Sobre dividendos, o CFO confirmou que o banco seguirá a política de distribuir entre 40% e 50% do lucro líquido recorrente, com pagamentos trimestrais. No 1T26, foram distribuídos R$ 4,9 bilhões em dividendos e JCP.
Destaques da Q&A
Investidores questionaram o impacto do Open Finance e da entrada de bancos digitais no mercado de crédito. Maluhy respondeu que o Itaú tem investido pesadamente em personalização via inteligência artificial, o que permite oferecer taxas competitivas sem sacrificar margem.
Sobre expansão internacional, o CEO descartou aquisições relevantes no curto prazo, mas confirmou interesse em crescer organicamente na América Latina, com foco em Chile e Colômbia, onde o banco já opera com rentabilidade acima de 15% de ROE.
Análise Trimestral
A teleconferência do Itaú reforça a tese de que os grandes bancos brasileiros estão bem posicionados para um cenário de juros elevados, desde que mantenham disciplina de crédito. O guidance de crescimento de carteira entre 8% e 10% é ambicioso, mas compatível com a recuperação gradual da atividade econômica. Para o investidor, o ROE consistente acima de 20% e a política previsível de dividendos continuam sendo os principais atrativos de ITUB4.