Guidance

Vale eleva projeção de minério de ferro para 2026

Projeções de produção Vale VALE3

A Vale anunciou nesta terça-feira (10/06) a revisão para cima de seu guidance de produção de minério de ferro para 2026, elevando a faixa de 310–320 milhões de toneladas para 325–335 milhões de toneladas. A decisão reflete a retomada da demanda chinesa por aço e a normalização das operações na Serra Sul após manutenções programadas no quarto trimestre de 2025.

As ações VALE3 avançaram 2,8% na B3 após a divulgação. O lucro líquido do primeiro trimestre de 2026 ficou em R$ 12,6 bilhões, ligeiramente abaixo do consenso de R$ 13,1 bilhões, mas analistas consideraram o guidance revisado como catalisador mais relevante para o preço das ações.

Revisão do guidance

A nova projeção de produção representa um incremento de aproximadamente 4% em relação ao guidance anterior. Segundo o diretor de operações de ferrosos, a expansão se deve principalmente ao ramp-up do projeto S11D e à melhora na disponibilidade da frota de caminhões e equipamentos de mina após investimentos em manutenção preventiva realizados no segundo semestre de 2025.

Além do volume, a Vale revisou o guidance de custo C1 (custo operacional por tonelada, sem frete) para US$ 20,50–21,50, ante a faixa anterior de US$ 21,00–22,00. A redução reflete ganhos de escala e eficiência logística no Corredor Sul.

Resultados do 1T26

A receita líquida consolidada atingiu R$ 58,3 bilhões, queda de 6% em relação ao 1T25, pressionada pela queda de 8% no preço médio do minério de ferro (62% Fe) negociado no período. O EBITDA ajustado somou R$ 24,8 bilhões, com margem de 42,5%.

A CEO destacou que a Vale está em posição privilegiada para capturar a recuperação da demanda chinesa, com portfólio de produtos de alto teor e baixo custo operacional.

No segmento de metais básicos, a produção de cobre atingiu 82 mil toneladas no trimestre, dentro do guidance anual de 330–370 mil toneladas. O níquel registrou produção de 42 mil toneladas, com impacto de manutenção na unidade de Onca Puma.

Teleconferência com investidores

Na earnings call, a diretoria dedicou tempo significativo à estratégia de descarbonização. A Vale confirmou investimento de US$ 4 bilhões até 2030 em tecnologias de redução de emissões, incluindo fornos elétricos e uso de biocombustíveis em equipamentos de mina.

Investidores questionaram o impacto das tarifas comerciais entre Estados Unidos e China sobre a demanda futura por minério. Executivos responderam que, até o momento, não observam cancelamento de pedidos, mas mantêm cenário conservador para o segundo semestre de 2026.

Sobre distribuição de capital, a Vale anunciou dividendos complementares de R$ 2,4 bilhões referentes ao 1T26, além dos R$ 6,8 bilhões já pagos como dividendo mínimo obrigatório. O payout total do trimestre ficou em 72% do lucro líquido.

Perspectivas setoriais

O setor de mineração brasileiro vive momento favorável, com preços de commodities sustentados pela transição energética global. O cobre e o níquel, segmentos onde a Vale busca diversificação, devem se beneficiar da expansão de energias renováveis e veículos elétricos.

Analistas do Morgan Stanley mantiveram recomendação de compra para VALE3, com preço-alvo de R$ 78. O Goldman Sachs elevou o target de R$ 72 para R$ 80, citando o guidance revisado e a política consistente de retorno ao acionista.

Análise Trimestral

A revisão de guidance da Vale sinaliza otimismo cauteloso com a demanda global por minério de ferro. Para o investidor brasileiro, a combinação de produção crescente, custos em queda e dividendos generosos reforça o apelo da mineradora como proxy de commodities. O principal risco permanece a desaceleração da economia chinesa, que consome cerca de 70% do minério de ferro exportado pelo Brasil.